18.6.03

O SONHO ESQUECIDO

Quando era mais pequeno, lembro-me de sonhar que podia fazer tudo o que me apetecesse, sem quaisquer limites ou fronteiras. Podia navegar por esses mares fora e procurar as Terras Novas das Descobertas, qual Gama ou Bartolomeu; era animal e desenho animado, representação abstracta ou objecto; voava como o Super-Homem e subia arranha-céus com teias que eram tão facilmente projectadas pela minha imaginação.

Quando eu era mais pequeno, lembro-me de sonhar.

Os anos passaram a uma velocidade estonteante e já não me lembro de sonhar – pelo menos não como dantes! Os mares outrora por navegar são agora correntes perigosas que nos podem levar sabe lá Deus para que destino e com que qualidade de vida; distingo-me claramente dos animais, porque sei que sou muito mais inteligente do que os pobres bichos (será que sou mesmo?!); o único objecto que concebo ser é o das doces seduções femininas e, mesmo aí, com muita masculinidade; o Super-Homem é para as crianças. E as teias?! só se forem as do enredo complicado e duro da vida. E agora perguntam-me: Como é que te tornaste tão sem graça?

Pois é! nem eu sei e, se querem saber, duvido que haja alguém que possa dizer que sabe por que razão perde as inocentes ilusões de infância. São fenómenos que vão acontecendo ao longo dos tropeções que damos e resultam do pasmo constatado perante a seriedade obstinada com que os adultos teimam em encarar os factos da vida.

Ó fatalidade enganadora! Os factos da vida são o que deles fazemos e nada mais do que isso – não há dramas maiores por virtude da idade; há é pessoas de espírito envelhecido, que perdem a fé nas pequenas insignificâncias tão bonitas da vida. Os jovens adolescentes também sentem os seus problemas com uma carga dramática que, por vezes, roça os contornos de uma telenovela Venezuelana de 2ª categoria – mas com a diferença de continuarem a viver o sonho bonito de virem a ser adultos um bocadinho diferentes dos seus pais.

Não me interprete mal o leitor! Não me acho assim tão enfadonho, nem deixo de estar convencido que a maioria das pessoas adultas continuam a ter os seus sonhos e as suas alegrias – o único problema, a meu ver, é que os sonhos são rapidamente apagados por falsos preconceitos de barreiras invisíveis e as alegrias não são devidamente apreciadas na sua plenitude. Por incrível que possa parecer, quando o Homem tem um momento alegre, o primeiro pensamento que o atormenta é – isto é felicidade a mais! O que é que virá a seguir?

Quando se diz, pois, que os adultos perderam a capacidade de sonhar, não subscrevo inteiramente estas palavras. O que sinto é que perderam a capacidade de acreditar que a concretização do sonho pode acontecer e só depende, na maior parte dos casos, do próprio sonhador. Será que, afinal, sou um sonhador? Deixo ao julgamento do leitor.

E porque é que é bom sonhar? Não vale mais a pena ser realista e aceitar as nossa limitações, para a queda não ser maior? meus amigos! sonhar é bom exactamente porque transcende as nossa limitações temporais e físicas; sonhar é bom porque nos lembra que há mais qualquer coisa para lá das nossas rotinas de vida; sonhar é bom porque somos nós a sermos quem queremos, onde queremos, com quem queremos e quando quisermos – querem maior sensação de liberdade? Quanto ao medo da queda... lembrem-se que o máximo que pode acontecer é ficarem exactamente onde estão agora.

Acordar do sonambulismo da realidade para o suave vôo do sonho não custa mais do que a nossa vontade. É um pequeno passo para uma satisfação pessoal sem medida – pois quem lutar pelos seu sonhos e conseguir alcançá-los, jamais se libertará da emoção da conquista, da alegria de cortar a meta.

Agora já me lembro de sonhar... o meu sonho é escrever, sem limites e sem medo. Pode ser que alguém me oiça e sonhe também!

Luca Santorini

O MARAVILHOSO MUNDO DOS "SES"

Se ao menos os sentimentos falassem...

Era bom que pudéssemos manter longas conversas com os nossos sentimentos. E que tudo o que nos provoca ansiedades, incertezas, receios e temores, pudesse, de vez em quando, explicar-nos o porquê da sua existência e como os dominar. Seria tão mais fácil para todos – para o próprio, que não andaria numa permanente busca de respostas que tardam em chegar; e para os outros...para os outros que, genuinamente preocupados com o nosso bem-estar, adicionam aos deles os nossos dilemas.

Mas a vida no reino dos “ses” e dos “quem me dera”, apesar de tentadora, acaba por nos afastar do nosso caminho, que deve ser o de confrontação directa com os “senãos” que todos os dias esbarram contra nós; transporta-nos de uma forma alienada para um reino de fantasia onde nos sentimos abrigados e ilesos mas que, na verdade, nos retira toda a noção da realidade com que devemos lidar frontalmente e sem medo, para podermos encontrar-nos.

Podem perguntar-me – mas então isso quer dizer que não devemos sonhar? A resposta é claramente negativa - é obviamente necessário sonhar, porque se o não fosse, o sonho puramente não existiria, não teria razão de ser. Se o sonho existe é porque tem, necessariamente, uma função na nossa vida. O que a minha verdade me diz (enquanto relativa que é a verdade de cada um) é outra coisa – é que devo distinguir o sonho da ilusão, ou seja, não perdendo a capacidade de sonhar, de ter objectivos e metas (porque os caminhos deixam de fazer sentido se não vislumbrarmos uma razão final para caminhar), devo saber reconhecer as armadilhas que a minha mente, por defesa, me mete no caminho para evitar o sofrimento.

É como dizer que se não reconhecermos a realidade ela não nos pode afectar porque, para nós, ela acaba por não existir. Nada mais falso!

A dura realidade da vida apanha-nos a todos ao virar da esquina – aos que a encaram com coragem e aos que fogem dela a todo o tempo. Com uma diferença muito importante – quem a pega de caras vive com um sentimento de satisfação e realização por ter ultrapassado, melhor ou pior, muros; quem a esconde ou procura fugir, passa a vida inteira a correr e a olhar para trás, com medo que, a qualquer momento, a sua própria cobardia o apanhe e lhe abra os olhos para o vazio que já passou.

Mas será que é assim tão duro encarar os nosso problemas e falhas, ou somos nós que fazemos desse caminho uma viagem sinuosa e tortuosa por vermos o acessório e fugaz e não sentirmos plenamente o que de mais puro e verdadeiro pode haver dentro de nós? Os nossos sentimentos. Talvez se passarmos a aceitar os nossos sentimentos na sua plenitude, com o que de bom e de mau isso pode implicar, não tenhamos que passar o resto da nossa vida a tentar perceber, de uma forma racional, o que querem dizer ou como os dominar. A atitude de aceitação, transforma então tudo o que fazemos em actos naturais que apenas são o que são e nada mais.

Chorar quando se tem vontade de chorar; puxar os cabelos e gritar quando o desespero é tão grande que parece não ter fim; rir às gargalhadas quando realmente sentimos que o queremos fazer; fazer luto e vivê-lo com a intensidade que tiver que ser...em vez de tentar perceber e dominar, a todo o tempo, o que de mais intuitivo vem de nós, não seria se calhar má ideia canalizar todo o potencial do sentimento para uma atitude de aceitação que só nos fortalece – “O que não nos mata, torna-nos mais fortes”, já diz a voz do povo na sua sabedoria milenar.

Demagogia? Utopia? Excesso de boas intenções, na prática inalcançáveis? Apenas a realidade de cada um o poderá decidir...mas de uma coisa eu tenho a certeza: é mais fácil e coerente procurar um caminho com a realidade que todos os dias nos é oferecida, do que procurar respostas e atalhos no reino dos “ses” e dos “quem me dera” – este sim, temos a certeza que não existe!

Luca Santorini

E QUE TAL...PENSAR EM COISAS BOAS?

Somos todos os dias confrontados com as limitações com que nascemos. Desde as parangonas dos noticiários que nos fazem questão de lembrar que, a toda a hora, acontecem desgraças e infortúnios que estão totalmente fora do nosso controlo, até às perplexidades que nos momentos mais inesperados da nossa vida pessoal friamente nos ultrapassam na nossa ingenuidade e expectante optimismo na bondade das coisas. Tudo, mas tudo nos indica que, em vez de tentarmos mudar o Mundo Grande que nos rodeia, devemos preocupar-nos com o pequenino mundo cheio de coisas pequenas que fazem o nosso dia-a-dia.

Parece que as pessoas vivem o pouco do tempo que têm a tentar construir castelos no ar, fazer luas de papelão ou atravessar oceanos em jangadas de pedra. Não pensem os mais incautos sonhadores que com o meu discurso tenho qualquer pretensão de acabar de uma vez por todas com a capacidade de sonhar do ser humano – longe de mim, um eterno aventureiro na busca de uma vocação universal de epopeia humana, desligar o interruptor que alimenta a capacidade de traçar metas cada vez mais distantes para a realização pessoal. Apenas deixo a nota de preocupação pela altura da barra de expectativa que nós, meros peões, teimamos em nos impor com rigor e exigência.

Os grandes ideais devem existir e tentar ser conquistados. Foram eles que permitiram que Armstrong deixasse uma bandeira com estrelinhas na Lua e que deram aos afro-americanos a mesma cor, perante a lei, dos seus conterrâneos do Mayflower. Sem eles Mandela ainda veria Joanesburgo aos quadradinhos e Ghandi teria sido condenado ao eterno papel de D. Quixote no imaginário de Cervantes. A força matriz da transformação do Mundo reside na inesgotável capacidade que o homem tem de extrapolar, a todo o instante, os seus próprios limites.

Mas a perspectiva não deve, no meu entender, centrar-se no longínquo ideal distante, mas antes no tangível microcosmos com que todos os dias lidamos. Como quem diz – e que tal se tentássemos agir de forma construtiva sobre as vidas das pessoas com quem lidamos e de quem gostamos, em primeiro lugar, em vez de nos sentirmos frustrados e inuteis por não conseguirmos descobrir os nossos fatos de heróis e salvarmos o Mundo e os humanos, hoje ou amanhã?!

Dirão os mais cépticos e descrentes – mera demagogia; discurso fácil ou facilista; fala-barato que diz mas não faz; profeta das grandes frases; ou até mesmo sonhador. Imagine-se o homem que agora escreve - não sonhes grandes sonhos - apelidado de sonhador!

Serei tudo isso e o que mais quiserem dizer de mim. Mas não sou eu que estou em questão, embora me questione todos os dias. E a única coisa que, no fundo, quero transmitir, é exactamente esta premente necessidade de nos quetionarmos todos os dias sobre o nosso papel de amigos, conselheiros, opinion makers, influenciadores sobre o círculo de pessoas que nos rodeiam e que, por simpatia ou carência ou mera consideração, se dão ao trabalho de nos ouvir e de assimilar alguma da nossa efémera sapiència ou experiência única (porque única é a experiência de cada um de nós). É esta função singular, esta capacidade maravilhosa que nos foi proporcionada (e nunca adquirida por mérito próprio ou conquista pessoal), de conseguirmos projectar a nossa voz para além de nós e, com isso, mudar a vida dos que nos escutam, que devemos, conscientemente, procurar valorizar e orientar, de forma a dar sentido à nossa passagem.

Como em todas as viagens, na vida há sempre uma ida e uma volta. A partida sai de nós e assume a forma de aventura e descoberta de sentidos, emoções, partilhas e conhecimentos. E a volta... bom, a volta depende de cada um. Pois só pode voltar a nós aquilo que fazemos aos outros – cabe-nos a ingrata e ao mesmo tempo digna tarefa de saber pôr os nossos recursos (intelectuais, emocionais, afectivos) à mercê dos outros e à sua capacidade de assimilação e compreensão. Resta-nos esperar que a mensagem seja transmitida, sem nunca desejar retribuição nesta vida.

O sossego da genuinidade com os outros, deverá ser recompensa suficiente para a nossa paz interior, na certeza de que fizémos o que estava ao nosso alcance para mudar, para melhor, o pequeno grande mundo de cada um de nós.

Luca Santorini

DUAS VIDAS NUM SEGUNDO

São aproximadamente 20h25. Saio de uma reunião como tantas outras que quase todos os dias tenho. Vou para casa à boleia com um amigo da pós-graduação de Marketing que frequento todas as semanas. Subimos a Avenida Padre Cruz, no Lumiar, caminho que habitualmente tomamos. Uma mota ultrapassa-nos com vontade de chegar a algum lado que desconheço e com a maior brevidade possível – cenário comum no quotidiano desenfreado da cidade. Chega o cruzamento. Em fracções de segundo, a mota desintegra-se, o seu condutor desaparece no ar e vejo uma mulher estendida no chão... inerte... sem vida. O condutor do carro que passou o sinal encarnado chora, com as mãos na cabeça, incrédulo no que acabava de acontecer. Num segundo, todo um conjunto de mundos muda para todo o sempre. Momentos tidos como certos esvaíram-se como fumo.

Apodera-se de mim uma sensação terrível de tristeza assustada – um misto de perda, impotência, medo e revolta. Até este dia assisti de braços cruzados e com a apatia insensível própria da banalidade às notícias que inundam todos os dias os meios de comunicação social a anunciar às centenas e milhares de mortos nas estradas portuguesas. Hoje olhei a morte nos olhos – a 50 metros de mim, 2 pessoas, um homem e uma mulher, com alegrias por viver e muitas coisas por fazer, partiram sem aviso, enquanto piscava os olhos, desejando que fosse mentira. E nem uma mão pude estender.

Eu não conhecia aquelas pessoas, mas a minha alma chorou...

O que mais me assusta é o total alheamento das pessoas com situações destas que se repetem sem fim - grupo no qual me incluía até hoje, confesso. Há sempre justificações irresponsáveis para pequenas transgressões “inofensivas” – ou se conhece bem a zona, ou se tem que chegar a horas senão é o fim do Mundo, ou é o carro que tem potência demais para andar tão devagarinho. E agora pergunto – de que valem essas justificações para este condutor que, inadvertidamente, passou o sinal encarnado?! E como justificar-se perante os dois seres humanos que ficaram sem vida?! E o que dizer às famílias inconsoláveis no seu pranto pasmado?!

No entanto, apesar da revolta perante a estupidez e desnecessidade do sucedido, não consigo, no meio deste nó de angústia, deixar de ter uma enorme compaixão por aquele homem desolado perante o enorme drama que caiu nos seus ombros. Penso no turbilhão de sentimentos de dor aguda que o vão atormentar para o resto da sua vida e fico aflito com a dimensão do choque emocional que sofreu.

Não valia mais a pena ter cuidado a conduzir?! Será que custa assim tanto perder uns minutos para ganhar uma vida inteira?! Apercebam-se bem da relatividade da nossa vida – tudo pode acabar num segundo!

Os acontecimentos que relato são verídicos e passaram-se hoje. Não vão apenas mudar a vida dos envolvidos, mas também, em certa medida, a minha própria vida. Amanhã é outro dia. Outro dia diferente do que teria sido se não tivesse visto o que vi – porque a imagem da tragédia vai permanecer, desfigurada pela erosão do tempo, mas reavivada pelo sentimento de profunda consternação que não vou esquecer. Será, com toda a certeza, um dia mais triste.

Escrevo este texto para pedir a todos os que me lerem que pensem no que acabei de relatar. Para que não acreditem que estas coisas não vos podem acontecer. Não seremos por certo melhores por conseguir escapar ilesos a riscos, maiores ou menores que sejam, mas sim por respeitarmos o Dom da vida e gozarmos a sua finita benção.

Acabo o dia nos braços de quem gosto... outros já não o poderão fazer. E rezo pelos que se foram e pelos que ficam.

Luca Santorini

AINDA EXISTE ESPERANÇA

Assusta-me a maldade gratuita e despropositada. Assusto-me com a necessidade que certas pessoas sentem de infligir dor e sofrimento a terceiros apenas como tentativa de expurgar a sua própria dor. Tenho medo das invejas, dos pensamentos mesquinhos, da mediocridade do espírito e da avareza de sentimentos… enfim, tenho pena de ter que conviver todos os dias com a carga negativa presente na condição humana e - Graças a Deus - , apenas cultivada por uns quantos representantes da raça.

Fala-se muito da perda de valores fundamentais pela sociedade contemporânea, da quebra de poesia da nova “cyber-geração”, da permanente incitação à violência pelos Media e da incultura de uma população sequiosa do voyeurismo dos reality shows – mas será que isto não são apenas reflexos naturais de uma passividade irresponsável de cada um de nós? exercícios de exorcismo individual proporcionados pela facilidade e banalização do apontar o dedo ao outro? escapes de uma multidão de pessoas que não consegue encontrar um rumo na sua vida?

“A paz no Mundo depende de cada um de nós”; “ A caridade começa em casa”; “Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti” – ensinamentos doutos da sabedoria popular, transformados em lugares-comuns desprovidos de significado e, sobretudo, de interiorização pessoal. É efectivamente mais fácil estar constantemente a queixar-se da situação instalada, da guerra em todo o Mundo, da destruição dos habitats naturais da Terra ou dos jobs for the boys do que tomar uma posição firme, agir de forma actuante ou pura e simplesmente melhorar a nossa atitude e a daqueles que nos rodeiam. Parece ser mais compensador, nos dias de hoje, criticar o comportamento alheio do que tentar reflectir e melhorar o nosso.

Tornámo-nos o ser acrítico - no sentido de incapaz de crítica construtiva -, que assume a maldade, mesquinhez, egoísmo e mediocridade reinantes no colectivo social como características intrínsecas e essenciais à sobrevivência num Mundo cão… em vez de nos elevarmos acima dessa camada dominante de espíritos perdidos na podridão das invejas.

Não quero ser moralista, nem pretendo ser dono e senhor da verdade. Apenas cumpro o meu modesto papel de alguém que de vez em quando se assusta com as atitudes dos homens e que sente uma incontrolável necessidade de partilhar os seus receios. Quero acreditar que muitos, como eu, tropeçam no caminho e querem arranjar a estrada.

A minha maior tristeza é o constatar que também eu, muitas vezes perdido nesta envolvente roda viva, dou por mim a cair no engano de atirar pedras a quem nada fez contra mim, ao invés de guardar essas pedras e construir a minha casinha feita de compreensão, tolerância e plena de sentimentos positivos e emoções criadoras.

A minha maior alegria é o descobrir que existe, dentro de mim, uma réstia de esperança e fé... em mim, nos homens, na sua inerente bondade e na sua capacidade de actuar sobre o seu ambiente humano e social. Resta alimentar esta esperança e pedir a quem me leia que alimente a sua também.

Luca Santorini

A TERAPIA DO TUDO DIZER

Quantas vezes não dou por mim a questionar-me - “mas porque é que eu não disse isto?! e porque é que não disse aquilo?!”. Nessas alturas, a angústia toma-me de assalto, massacrando-me insistentemente a consciência (ou relembrando-me que a tenho), até ao ponto do alheamento – aquele momento indefinido em que, atropelado pela azáfama dos acontecimentos, o meu “alter ego” desiste de mim e, baixando os braços, espera por outra oportunidade.

Mais tarde, às vezes passados uns dias, outras uns anos, apercebo-me, com uma tristeza arrependida, do óbvio – as oportunidades, afinal, não estão nas minhas pretensamente auto-suficientes mãos.

É o conjunto de todos esses momentos certos, perdidos por teimosia, orgulho ou por outro qualquer sentimento que nos “defende” de algo que nem nós sabemos bem o que é que, esporádica e incisivamente, me lembra que ainda estou longe de ser feliz, porque podia ter feito bastante mais.

Todos nós vivemos, quer queiramos, quer não, em função dos outros – daqueles que nos são mais próximos, dos que conhecemos de raspão e ao de leve no alvoroço do dia-a-dia e até dos que, no frio anonimato, se cruzam sem querer nos nossos caminhos. É uma realidade que não depende de qualquer credo ou religião e que é inerente à própria condição humana. Para que possamos verdadeiramente conviver temos de comunicar e o nosso instrumento preferencial de comunicação é a fala, que mais não é do que a verbalização da alma. Quando a alma não se consegue exprimir porque não quer, ou não a deixam, perde a sua plenitude porque não se relaciona de uma forma integral.

Não devemos, pois, deixar que o cliché “eu devia ter dito…” se torne uma realidade nas nossas vidas. Se assim acontecer, estamos a ser vencidos pela inércia e amputamos lentamente a oportunidade de sermos felizes, tomando a vida nas nossas mãos.

Digamos, pois, às pessoas de quem gostamos que delas gostamos, àquelas que precisam de uma palavra amiga demos um simples conforto e a outras que nos atormentam, manifestemos o nosso descontentamento; e, assim, deixemos voar as palavras que nos saem do coração, mas sempre com o sentido da verdadeira liberdade – aquela que se preocupa com os outros, aquela que é sensível às sensibilidades, aquela que se adequa a cada interlocutor, sem perder a sinceridade e espontaneidade próprias do ser genuíno.

Dizer uma palavra à pessoa certa ou na altura certa pode ser uma verdadeira terapia – a terapia da coerência, a terapia do bem-estar e da felicidade. Não perca a oportunidade e dê asas à sua alma; porque tudo dizendo, nada ficará por dizer. E a paz estará mesmo ao seu lado…

Luca Santorini

A SUBMISSÃO DOS ENCURRALADOS

Será possível existirem pessoas que se sintam compensadas e gratificadas pelo simples facto de poderem dominar outras? Será imaginável o abuso de poder e o aproveitamento de sentimentos de temor reverencial por puro exercício insensível de autoridade? Será para os leitores imaginável uma situação de exploração do ser humano preso à nobre sina de sustentar uma família? A resposta é, infelizmente, sim, sim, sim.

Quem não assiste no seu dia-a-dia a uma das situações acima descritas?! seja no trabalho, em que o Director confiante na superioridade da sua posição pede ao subordinado que acabe o seu “trabalhinho” ainda hoje ( e a família que espere..); ou um qualquer elemento de uma autoridade pública que, de carimbo na mão, imponha atalhos de burocracia tortuosa aos subjugados cidadãos sem alternativas; seja até qualquer um dos nossos amigos ou conhecidos que tenha perante qualquer outro um ascendente de fascínio e que disso se aproveite para alimentar o seu ego faminto.

Todos estes cenários se baseiam na mesma triste realidade – o Homem tem tendência a não saber lidar com o poder e com a posição de “superioridade” (efémera e ilusória) que ele implica. É o eterno desvio da liberdade do Homem: o ter a possibilidade de escolher um caminho e insistentemente optar pelo mais limitador – o caminho da exibição frenética de um poder que, como todas as realidades da vida, é relativo.

Na verdade, com qualquer posição de autoridade ou ascendente, vem sempre uma carga de responsabilidade acrescida; o dever humano de exercê-la com moderação e respeito pela individualidade e valores de quem se situa no “patamar inferior”; a obrigação de tentar agir com a preocupação e a sensibilidade que se exigiria a outrém em situação inversa.

È muito fácil para qualquer pessoa esquecer que, mais tarde ou mais cedo, a mão que hoje dá alimento pode bem ser a que amanhã lhe dará de comer. Quanto mais não seja por precaução e alguma dose de egoísmo, os chefes, governantes e poderosos deste Mundo devem ter o cuidado de tratar os seus iguais com a dignidade que procuram para si mesmos.

Esta elementar regra de convivência e humanidade continua, â medida que vou escrevendo, a ser transgredida, ignorada e por vezes enxovalhada. Haverá sempre um qualquer tirano em qualquer parte deste cada vez mais pequeno Planeta cheio de pessoas “pequenas”. Mas isto não quer dizer que tenhamos que nos conformar com isso e confortavelmente cruzar os braços à impune subjugação.

Aos “encurralados” que, como eu próprio já algumas vezes fiz, se refugiam entre a espada e a parede, uma palavra de ânimo – meus amigos, não se tornem o que odeiam e combatam as submissões com a força das vossa convicções! Acreditem nas vossas capacidades e no vosso próprio poder de resposta. A quem vos ataca, esfola, abusa ou injuria, mostrem a força da vossa dignidade e tomem as rédeas dos acontecimentos que fazem as vossas vidas.

Aos dominadores abusivos, gente de fraca personalidade, relembro que um dia podem ser vocês. Porque é que não começam a evitar a vossa fatal prestação de contas e deixam que a força criativa e produtiva que o poder pode ter se liberte das amarras da tacanhez?!

Luca Santorini

O DEMÓNIO DA ESCRITA

Há horas em que as palavras me incomodam no sono e me obrigam a despojar-me do cómodo silêncio. Os sons e sentidos tornam-se irresistivelmente vivos e apoderam-se da minha vontade. E, não fugindo à regra, aqui estou eu, como de costume, a escrever não sei bem o quê e sem qualquer rumo definido. Tenho um demónio dentro de mim ?! Serão os meus antepassados a tentar comunicar?! Ou será apenas um gene defeituoso que me implantaram na vida antes desta e que transporto qual sina sem cura? são perguntas a mais para quase nenhuma resposta. Para quê lutar contra o inevitável e prender esta minha gana de escrever? Decidi que isto sou eu e, como tal, vou viver esta minha personagem com a realidade que ela tem mesmo que não queira dar-lhe protagonismo.

Curioso é notar que este ímpeto me assalta sempre que me encontro em situações de instabilidade emocional - rupturas, zangas, choques traumáticos de ingenuidade excessiva e atónita perante os dissabores da vida, enormes alegrias, euforias embriagadas. Presumo, pois, que quem fala nestas alturas não sou eu enquanto ser passageiro num teatro de fantoches, mas o que de mais permanente e perene existe em mim – a minha anima! O sentido mais profundo do subconsciente.

Obrigado meu Deus - sejas tu quem fores e sob que forma existires - por me aproximares cada vez mais da minha essência...que cada vez mais me apercebo qual é - a doce e única sensação de conseguir dar voz a uma mensagem que é só minha e, assim, partilhar e crescer...escrevendo...assim...até ao fim.

Luca Santorini

OS TREINADORES DE BANCADA

Já repararam como, em Portugal, toda a gente tem sempre alguma coisa a dizer sobre todo e qualquer assunto?

Ele é o dono do café que fica à porta do meu escritório que invariavelmente se pronuncia, com assumida sapiência, sobre todos os assuntos que os clientes descontraidamemente deixam cair no seu balcão – desde a fuga do Big Laden, até à ditadura do Çadem Uçáin, passando pela estratégia de jogo da Naval frente ao Sporting e pela maçã de censura ao governo do Durão Barroso, que devia era ter ficado no BCTP/NRPP a estudar Mau Ché Tunga.

Ou o taxista que vocifera, com a tez mais vermelha que a bandeira do PCP, contra o Gilberto Madil que foi escolher o preguiçoso daquele brasileiro – o Secalhari – para seleccionador dos portugueses. E como se não bastasse, ainda chamou o Deck, aquele Canarinho do Norte que só sabe dizer –Oi! Tudo legau?!Cumo bai bocê? –para jogar contra o Brasil. Coitado do Luisinho - o Figo! Não há direito! Aquele careca dum...devia era ser mandado de volta pr’á terrinha dele.

Mais delicioso ainda...os arrumadores, que vêm sempre dar uma mãozinha quando o carro já está estacionado. À pergunta – porque é que não vais trabalhar? – têm o desplante de responder, com os poucos dentes que lhes restam: - portantos, quésse dizer! Tá um gajo a fazer um favor, ainda tem que levar cum estes ingratos...dasss!!! a culpa é do gueverno pá! Não arranjam trabalho pá malta!

Depois existem os mentirosos convicentes, que são aqueles que juram, prometem e garantem pela vida da avó (que já morreu há mais ou menos 30 anos) que aquilo que estão a dizer é verdade, a tal ponto que já eles próprios acreditam piamente no que estão a dizer. E, caso estejam a perder a aderência do público mais céptico, lançam logo mão de estudos, estatísticas e pareceres científicos que apoiam as suas teses. Diz o Camané para o Joca:
- Tu sabias que o Saddam Hussein está feito com Israel?
- nããããã...isso é mentira pá!
- Tou-te a dizer, pá! Porque é que pensas que ninguém encontra as armas de destruição massífica? Tão todas escondidas em Belém! Ah, pois é!
- Mas ca ganda treta que te pregaram!
- Ouve lá! Tás-me a chamar mentiroso?! Juro-te pá! Ainda no outro dia vi um documentário em que o Sharon, o mister lá dos judeus, se descaiu e disse isto...
- pois, pois...em que canal é que viste isso? Na SIC Radical, não? Isso era mas era o Cabaré da Coxa e tu caíste que nem um patinho!
- Não foi nada meu!!! Foi no Canal História, pá! Aquele canal da cabo sobre a actualidade...xiça, c’o gajo é teimoso!

Também gosto muito dos espertalhufos a posteriori. Está uma discussão acesa sobre determinado tema – é indiferente qual o tema, pois o comportamento destas criaturas é sempre o mesmo – e todos os participantes falam alto, atropelam-se e têm alguma coisa a dizer. Menos um. Pois é! é o espertalhufo que espera que a conversa chegue à conclusão, altura em que, com eloquência diz: Eu já sabia desde o início! Por isso é que não disse nada – não valia a pena discutir! Era óbvio, pá! Esta é uma raça perigosa, pois embora não diga nada de jeito sobre tema algum, dá a entender que sabe tudo e pode enganar alguém mais distraído.

Outra categoria muito interessante é a dos eternos substitutos ou treinadores de bancada. Este será, muito provavelmente, o mais numeroso grupo de sabichões. A sua frase preferida é – Se fosse eu...!. Gostam de se alojar em bancadas de estádios de futebol, em frente à televisão na hora dos telejornais e debates parlamentares ou na Tasca do Manel à frente dum copo de vinho ou de uma sopa de cavalo cansado (é indiferente! desde que se beba...). Têm a particularidade de estarem sempre em desacordo com seja o que for, nem que seja uma posição que defendiam há exactamente...1 minuto e 15 segundos atrás.

É caso para dizer: - Caro Amigo! se és português, treinador de bancada e tens mais de 18 anos seguidos de razão em todos os assuntos, junta-te à carreira política e torna-te um fanfarrão bem pago e com notoriedade!

E é assim que andam as coisas neste recanto à beira-mar plantado...se calhar era de reunir todos estes espécimes para o Parlamento Europeu para resolverem a crise. Vai que não vai, faziam melhor do que os que lá estão!

E com esta me fico...

Luca Santorini

UMA AVENTURA NO CINEMA

Quando eu tinha 14 anos, ir ao cinema era uma oportunidade única de passar 2 horas sozinho com uma rapariga às escuras, sem ter os paizinhos a controlar. As artimanhas que eu inventava para poder disfrutar desta fantasia eram tais que cheguei a ir ver um filme do Kurosawa, daqueles filmes que dão razão de ser à palavra tédio e que quando terminam deixam uma plateia inteira pálida, com problemas de circulação, por terem estado sentadas aproximadamente 4 horas e meia na mesma posição. Mas eu não! contorcia-me, punha a mão à volta do ombro dela, tocava ao de leve nos dedos da minha presa, susurrava-lhe ao ouvido e, se tivesse muita sorte, ainda conseguia vislumbrar alguma coisinha por entre o último botão da camisa aos quadradinhos com colarinhos para cima e o lencinho que invariavelmente todas usavam ao pescoço.

Era uma verdadeira emoção e raramente me lembrava da história do filme. Isto era especialmente embaraçoso quando a minha companheira de sessão me perguntava se tinha gostado daquela cena em que a heroína tinha sido salva pelo mau da fita, ao que eu, pequeno projecto de homem, respondia convicto: Pois! aaaaa... claro que sim! foi lindo!

Os anos foram passando e hoje ir ao cinema já não é um acto fútil. Não. Ir ao cinema significa poder sorver todas as palavras de um filme, absorver a banda sonora, apreciar as interpretações ou captar a essência do enredo, sem ter que pensar na porcaria de semana que tivemos antes e naquela coisa que é tão mal vista que será provavelmente a única que nos pagam para fazer: o trabalho!

O ritual começa com a entrada na sala de cinema. Damos os bilhetes aos arrumadores, que a 300 à hora nos deixam constantemente para trás. Sentamo-nos 5 minutos antes, como convém, e falamos com o nosso parceiro, a ouvir o som de fundo das pessoas a falar sobre o cabelo da fulana tal ou sobre o malandro do Zé Manel que fugiu com a manicure da mulher para Freixo de Espada à Cinta. Espero que sejam muito felizes....

O ideal seria que todos os lugares à nossa volta estivessem vazios. Que imagem maravilhosa! Nem uma única pessoa a dar pequenas gargalhadinhas ao nosso ouvido ou a pontapear repetidamente o nosso costado. Mas não! Vou-vos descrever o que se passou comigo e uma amiga especial neste Domingo.

As luzes apagam, o ecrã pede gentilmente que os espectadores desliguem os telemóveis e, 5 segundos depois de começarem a passar imagens de outros filmes em exibição, senta-se ao nosso lado um casaleco com 4 pacotes Mega-hiper-extra de pipocas e duas Coca-Colas advantage com 3 palhinhas cada, daquelas de deixar o McDonald’s na categoria de comida dietética. Está tudo estragado!

Começa o filme e sinto uma mão felpuda no meu ombro esquerdo. Eis senão quando dou por mim a ter que pedir ao cavalheiro sentado dois lugares à esquerda para retirar sua manápula do meu ombro e a deixar cair no ombro direito da sua namoradinha. Tenho aquela sensação angustiante de estar rodeado de criaturas estranhas. O que vale é que ao menos não tenho ninguém à minha frente!

Já incomodado pela situação e a pressentir o início de uma noite muito comprida, descanso finalmente um pouco e presto atenção ao filme. Mas quando a esmola é muita o pobre desconfia! Mal acabo de assistir aos primeiros 5 minutos de filme seguidos, do canto direito do olho direito vejo um senhor de 2 metros a aproximar-se da fila à frente da minha, de mão dada com uma acompanhante. Depois de levantarem uma fila inteira e tropeçarem em praticamente todos os seus vizinhos, finalmente sentam-se. E onde?! CLARO! Nos dois lugares vazios que estavam à minha frente!

Dou graças a Deus porque, ao menos, o senhor sentou-se mesmo em frente à namoradinha com a mão no ombro que estava ao meu lado esquerdo. E à minha frente sentou-se a acompanhante que ... não! não é possível! Mas quem é que namora uma mulher que resolveu fazer um penteado afro de estilo revivalista com uma largura de um Prestige e a altura da torre de Pizza?!

Conformado com o stress da noite que inicialmente pensei que seria de lazer descansado, não desisto e volto a concentrar-me no filme, entre saltinhos ora para a direita, ora para a esquerda, por entre o pinheiro de Natal e o jogador de Basquete.

Sou interrompido por um estranho “reco-reco” bem perto do meu tímpano esquerdo, logo seguido de um chupar líquido parecido com um aspirador industrial a fazer o servicinho... mas numa piscina! Quando olho para ver o que era, nem vos consigo bem descrever o cenário! O famoso casaleco – que entretanto já tinha distribuído algumas pipocas pelos vizinhos – com as caras enfiadas nos baldes de pipocas, abriam bem as boquinhas para partilharem devidamente o seu bolo alimentar. Logo de seguida, a namoradinha, com um ar delicado e ingénuo, enfia 3 palhinhas pela traqueia e, de golada, sorve metade da Coca-cola, após o que deixa escapar uma leve concentração gasosa pela sua generosa bocarra! Assim não dá! – penso desesperado.

Já com os nervos em franja, mas decidido a fazer valer o dinheiro que gastei no bilhete, aperto com força a mão da minha parceira – que quase ficou sem dedos – e insisto em abstrair-me daquele jardim zoológico.

Chega a parte do filme mais emocionante em que o drama é desvendado e em que o actor principal, numa representação soberba e trágica, se declara dramaticamente à protagonista. E não é que, quando toda a plateia retinha a respiração, comovida com o momento, solta-se uma ruidosa gargalhada do banco exactamente atrás do meu (por acaso, o senhor que meia hora antes tinha dito Santinho a um espirro vindo de uma senhora sentada 10 filas à frente) e que quase me salta o coração do peito?

Esta foi a gota de água! Visivelmente irritado, viro-me para trás e digo: - Se não se importa, eu gostava de ver o resto do filme sem ter que levar com os seus ataques de riso, principalmente quando a cena não tem graça nenhuma!!!

A partir daí, não me lembro de mais nada. Acordei à porta do Monumental, com a camisa cheia de sangue e, pelo olho inchado e semi-cerrado, ainda vi a minha parceira aos berros a dizer que eu lhe tinha estragado a noite e que não queria mais nada comigo.

Em resumo: gastei o dinheiro de 2 bilhetes, não vi o filme, fiquei à beira de um esgotamento nervoso, levei uma sova, a minha futura namorada partiu para outra e... não fui trabalhar no dia seguinte porque não me conseguia mexer.

Tudo isto me leva a pensar que o cinema já não é. meus amigos, a 7ª Arte, mas sim a 14ª ou 15ª. Logo a seguir à Arte de bem ruminar pipocas, à Arte de bem sorver líquidos gasosos, à Arte de assediar vizinhos de fila, à Arte de fazer questão de se fazer ouvir e, last but not the least, à famosa Arte de se estar perfeitamente nas tintas para quem está à sua volta, tão típica dos portugueses.

O meu conselho é, pois, o seguinte: se querem ir ao cinema, comprem um DVD com Dolby Surround e um mega-ecrá de plasma. Depois, só convidem pessoas discretas, ofereçam-lhes um cozido à portuguesa antes e escondam a máquina de pipocas e o frigorífico.

E viva o cinema!

Luca Santorini