18.6.03

O DEMÓNIO DA ESCRITA

Há horas em que as palavras me incomodam no sono e me obrigam a despojar-me do cómodo silêncio. Os sons e sentidos tornam-se irresistivelmente vivos e apoderam-se da minha vontade. E, não fugindo à regra, aqui estou eu, como de costume, a escrever não sei bem o quê e sem qualquer rumo definido. Tenho um demónio dentro de mim ?! Serão os meus antepassados a tentar comunicar?! Ou será apenas um gene defeituoso que me implantaram na vida antes desta e que transporto qual sina sem cura? são perguntas a mais para quase nenhuma resposta. Para quê lutar contra o inevitável e prender esta minha gana de escrever? Decidi que isto sou eu e, como tal, vou viver esta minha personagem com a realidade que ela tem mesmo que não queira dar-lhe protagonismo.

Curioso é notar que este ímpeto me assalta sempre que me encontro em situações de instabilidade emocional - rupturas, zangas, choques traumáticos de ingenuidade excessiva e atónita perante os dissabores da vida, enormes alegrias, euforias embriagadas. Presumo, pois, que quem fala nestas alturas não sou eu enquanto ser passageiro num teatro de fantoches, mas o que de mais permanente e perene existe em mim – a minha anima! O sentido mais profundo do subconsciente.

Obrigado meu Deus - sejas tu quem fores e sob que forma existires - por me aproximares cada vez mais da minha essência...que cada vez mais me apercebo qual é - a doce e única sensação de conseguir dar voz a uma mensagem que é só minha e, assim, partilhar e crescer...escrevendo...assim...até ao fim.

Luca Santorini

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